O Banco do Brasil é o banco mais seguro do mundo (4)

Na √ļltima vez que voltei ao Brasil, me deparei com uma pilha de correspond√™ncias do Banco do Brasil pra mim. N√£o s√≥ ele quer que eu v√° na ag√™ncia, mas tamb√©m me manda carta. √Č um banco rom√Ęntico! N√£o se fazem mais bancos como antigamente…

O que acontece é que, todo mês, o BB manda um extrato de investimentos pra eu saber o que anda acontecendo. Já que eu não consigo ver muita coisa online mesmo naquele site super bem implementado. Eu achei um desperdício aquele tanto de extrato. Desperdício de papel, de tinta de impressora e de tempo do carteiro. Decidi tentar cancelar o serviço.

Primeiro busquei como fazer isso online, mas a gente j√° viu que o BB n√£o √© muito da era tecnol√≥gica. Eles gostam mesmo que a gente v√° na ag√™ncia, d√™ oi pro gerente, conte como anda a vida… Eu dei mais uma chance pro telefone. Liguei l√° no 4004 comemorando que eu estava no Brasil e o n√ļmero finalmente funcionava. A√≠ ele me pede uma senha de 4 d√≠gitos do telefone. A√≠ eu digito a senha (que, de novo, por um milagre eu lembrei) e, t√°d√°! senha bloqueada! “Por favor compare√ßa a uma ag√™ncia para o desbloqueio.” Ok. Dessa vez eles me pegaram. N√£o tinha como escapar.

Fui da ag√™ncia (sem o computador dessa vez, aprendi minha li√ß√£o), peguei a senha e dos 5 gerentes que estavam l√°, dois estavam conversando com outros clientes, dois estavam batendo papo entre si e outro estava fazendo n√£o sei o qu√™. Esperei uns 20 minutos numa fila com duas outras pessoas na minha frente. Afinal de contas, ag√™ncia cheia n√©, eles ficam inventando motivo pra gente ir l√°… Fui atendida, refiz a senha do telefone (que a essa altura do campeonato j√° est√° bloqueada de novo) e pedi pra cancelar o recebimento de extrato.

N√£o n√£o… Cancelamento de recebimento de extrato √© feito no caixa eletr√īnico. Mentira! Existe mesmo um servi√ßo que √© feito *s√≥* no caixa eletr√īnico e n√£o dentro da ag√™ncia? Eu quase ca√≠ pra tr√°s quando me falaram isso. Vamos ver finalmente como funciona qualquer coisa automatizada nesse banco! Uhuuu!

Sa√≠ da ag√™ncia, peguei outra fila pro caixa eletr√īnico. Coloquei o cart√£o, digitei a senha, s√≠labas, anivers√°rio, ano de nascimento do pai, n√ļmero do sapato da m√£e (n√£o pode sempre fazer as mesmas perguntas n√©?), tr√™s pulinhos e uma voltinha. Voil√°! Servi√ßo cancelado. Como eu sa√≠ em menos de um m√™s, n√£o sei de fato se os extratos pararam de ser enviados, ou se meu pai tem queimado eles quando chegam temendo pela minha sanidade mental…

O Banco do Brasil é o banco mais seguro do mundo (3)

Da √ļltima vez que estive no Brasil, comprei uma coisa via internet e precisava pagar a conta. Como s√≥ tenho um cart√£o de d√©bito, tive que usar o bom e velho boleto banc√°rio.

Tentativa de pagamento 1: pagamento online, claro. Mais f√°cil e conveniente, funciona sem sair de casa. Entro no site, pe√ßo o c√≥digo, recebo o c√≥digo, autorizo o computador… A gente j√° sabe o esquema. Vou pagar, digito 5 mil n√ļmeros do c√≥digo de barra e… opera√ß√£o n√£o permitida. Por qu√™? N√£o sabemos… nunca saberemos.

Tentativa de pagamento 2: vou em uma ag√™ncia pagar no caixa eletr√īnico. Era s√°bado. Passei pela porta girat√≥ria com um detector de metal, fui num caixa… em manuten√ß√£o. Fui em outro caixa… manuten√ß√£o. Na verdade nenhum dos caixas onde eu podia realizar pagamentos estava funcionando. Havia um seguran√ßa dentro da ag√™ncia que me informou que os caixas estavam sendo abastecidos de dinheiro. Ele n√£o sabia me dizer quanto tempo levaria. Pessoal trabalhador n√©… enchendo caixa no final de semana.

Tentativa de pagamento 3: voltei no dia seguinte. Os caixas pareciam estar funcionando, as pessoas estavam fazendo opera√ß√Ķes normais e tudo mais. Fui feliz com meu boleto em um deles. Coloquei meu cart√£o, digitei a senha, s√≠labas (que por um milagre eu lembrei de cabe√ßa), data do meu anivers√°rio, nome do pai, nome de solteira da m√£e, endere√ßo do av√ī, ra√ßa do cachorro e tudo mais que ele queria saber (tamb√©m dei um tchauzinho pra c√Ęmera s√≥ pra eles terem certeza que eu era eu!). Digito 5 mil n√ļmeros do c√≥digo de barra e… opera√ß√£o n√£o permitida! N√£o vamos perguntar porqu√™. Um colega ofereceu pagar pra mim online mas eu n√£o quis arriscar. Vai que o banco n√£o me deixa sacar o dinheiro pra pagar ele…

Tentativa de pagamento 4: ir num caixa √† moda antiga. Era tudo que eles queriam, finalmente me fazer ir a uma ag√™ncia! Falar com uma pessoa ao vivo e a cores! Nesse dia eu estava com meu computador na mochila, e o computador n√£o cabe na caixinha pra deixar chave e celular que tem do lado do detector de metais [1]. Nessa ag√™ncia n√£o tinha escaninho. Eu estava literalmente na rua, com uma mochila com computador, tentando passar por uma porta girat√≥ria com um detector de metais [2]. Aquilo n√£o ia funcionar. Bati no vidrinho da ag√™ncia at√© um seguran√ßa me ver, apontei o computador e a porta, e ele apertou qualquer coisa l√° que desativou o detector de metais e me deixou passar. Entrei na fila do caixa, passei por uma menina que est√° l√° s√≥ pra clicar umas op√ß√Ķes bestas numa telinha e me dar um papelzinho com a senha. Minha senha foi chamada. Fui no caixa. A mo√ßa do caixa n√£o pareceu t√£o contente assim em me ver… Paguei a conta. Sucesso!

Agora pensa se eu tivesse dado o azar de precisar pagar alguma coisa n√£o estando no Brasil hein? Afinal de contas, foram apenas quatro tentativas e pronto!

[1] Se pagar uma conta já é difícil, entrar no banco também tem que ser, oras.

[2] Talvez eles tenham problemas com pessoas que usam computador? Olha que é uma boa teoria hein!

O Banco do Brasil é o banco mais seguro do mundo (2)

Mais um conto da série.

Eu tinha mudado pra Viena h√° pouco tempo quando precisei acessar minha conta do Banco do Brasil online fora do pa√≠s pela primeira vez. Isso devia ser meados de 2011. Se voc√™ est√° lendo isso na ordem, deve saber pela √ļltima hist√≥ria que toda vez que preciso acessar o site do BB, tenho que receber um novo c√≥digo de autoriza√ß√£o do computador no celular.

A primeira vez que isso aconteceu e eu estava fora do pa√≠s, o √ļnico celular cadastrado na minha conta era o meu antigo, que j√° n√£o existia mais. Tinha ent√£o que cadastrar um novo telefone (que s√≥ pode ser do Brasil), e pra isso, adivinha? Tenho que ir na ag√™ncia! Esse pessoal deve gostar muito de atender cliente. Imagino que chegarei l√° e estar√£o todos de bra√ßos abertos com um sorriso enorme me esperando…

Com sorte eu tinha deixado uma procura√ß√£o com meu pai que basicamente d√° direito a ele ser eu pra qualquer coisa. Ent√£o ele me fez o favor de ir na ag√™ncia ser eu e cadastrar o n√ļmero do telefone dele na minha conta. Pelo menos agora eu vou poder acessar minha conta de vez n√©? Ah vou…

E quando eu precisei acessar a conta e o meu pai estava me visitando fora do Brasil? O celular dele n√£o estava funcionando e portanto n√£o consegui receber o c√≥digo. Decidi usar o bom e velho telefone, e depois de um bom tempo procurando um n√ļmero que (1) funcionasse via Skype [1] e (2) n√£o precisasse da senha do telefone que (surpresa!) estava bloqueada, consegui falar com uma pessoa. Ap√≥s confirmar todos os meus dados, ela me perguntou o que poderia fazer por mim e eu pedi pra ter acesso √† conta online. Ela me disse que n√£o era poss√≠vel. Por que n√£o? Porque n√£o tinha como ela ter certeza de que eu era eu. Voc√™ sabe, medidas de seguran√ßa n√©… Vai que tem algu√©m com um rev√≥lver na minha cabe√ßa pedindo pelo amor de deus por um c√≥digo pra desbloquear o computador pra eles poderem… hmm… ver meu saldo? [2] [1] N√ļmeros 0800, 4004 e cia n√£o funcionam via Skype.

[2] Parece que essa √© a √ļnica opera√ß√£o que eu consigo fazer de todo jeito. Terceira historinha aqui.

O Banco do Brasil é o banco mais seguro do mundo (1)

Ou o mais carente. Vou explicar.

M√™s passado eu tentei acessar minha conta do Banco do Brasil online. Eu estava em Viena, na √Āustria. Ao clicar em “Acesse sua conta”, o site √© redirecionado pra uma p√°gina onde tenho que colocar o n√ļmero da conta e senha. Mas antes disso, como de praxe, ele me avisa que vai executar um jar e pergunta se eu tenho mesmo certeza se quero fazer isso.

bb-jar

Duas vezes. Eu tenho que realmente ter certeza. [1]

Depois de entrar todos os dados, a página me avisa que não posso realizar nenhuma operação porque meu computador não está autorizado. Claro! Eu atualizei o Firefox. Toda vez que atualizo o Firefox (que acontece mais ou menos uma vez por mês) o Banco do Brasil esquece que meu computador é autorizado. Faz todo sentido.

Ent√£o eu tenho que receber um c√≥digo pelo celular pra autorizar meu “novo” computador. S√≥ que n√£o pode ser pra qualquer celular, tem que ser pra um celular no Brasil. Dei sorte de j√° ter passado por todo o processo de cadastrar o n√ļmero do meu pai na minha conta sem estar fisicamente no pa√≠s [2]. Pedi que enviassem o c√≥digo ent√£o e aguardei meu pai me mandar. Ele n√£o estava com o telefone na hora, mas depois de algum tempo recebi o c√≥digo.

Ao tentar acessar o site de novo, me deparo com uma mensagem dizendo que minha senha foi bloqueada. Eu devo ir num caixa eletr√īnico com meu cart√£o pra desbloquear ou numa ag√™ncia. Desconfiei que o acesso foi bloqueado porque eu estava no exterior. Pedi pro meu pai tentar acessar o site do Brasil, mas nada. Senha bloqueada. Ele gentilmente ofereceu ir numa ag√™ncia pra mim. O gerente o informou que n√£o s√≥ minha senha da internet, mas todas as senhas, foram bloqueadas por “medida de seguran√ßa”. Sabe-se l√° qual. Ningu√©m conseguiu me explicar ainda. Pra desbloquear a senha eu deveria ir pessoalmente na ag√™ncia… ou ir na embaixada brasileira, redigir uma procura√ß√£o pro meu pai, assinar com firma reconhecida e enviar via Sedex. √Č uma praticidade sem fim!

Eu pensei que talvez existisse um jeito mais f√°cil. Entrei em contato com o Banco do Brasil via Facebook explicando a situa√ß√£o. Depois de explicar que eu n√£o poderia ir a uma ag√™ncia e n√£o tinha procurador no Brasil, eles me mandaram um formul√°rio que eu deveria enviar preenchido e assinado, com uma c√≥pia de algum documento, pra um e-mail da minha ag√™ncia [3]. (Olha s√≥, j√° ficou mais simples do que o esquema do Sedex hein!) Um dos campos que eu deveria preencher nesse formul√°rio era o endere√ßo IP do computador utilizado pra acessar o site. Mesmo? Endere√ßo de IP? Que bonitinho eles tentando ser tecnol√≥gicos… Como se eu usasse *um* computador, em *uma* rede, com *IP¬† est√°tico*! Parece minha av√≥ perguntando qual √© meu novo endere√ßo de e-mail depois que eu mudei.

Enfim, mandei o formulário deixando claro que não tinha um IP fixo de onde eu sempre acessaria o site deles. Isso faz uma semana. Sem notícias ainda. Talvez eles estejam confusos com o esquema do IP que muda. Talvez eles estejam com saudades de mim e queiram que eu pegue um avião pra dar um pulinho lá na agência. Pelo menos ninguém mais tem acesso à minha conta né? (Ou será que tem??)

Vamos ver quanto tempo vai demorar pra eu recuperar esse acesso. Aguardem cenas dos próximos capítulos.

[1] Quem ainda usa Java Applets empacotados em jars pra rodar um simples formul√°rio em uma p√°gina web hoje em dia? Sinceramente…

[2] Segunda historinha. Veja aqui.

[3] Fato interessante: Nesse meio tempo, o meu noivo teve o mesmo problema. Sua senha de acesso à internet foi bloqueada. Ele entrou em contato com o BB no Facebook um dia depois de mim. Em três dias ele recebeu uma mensagem dizendo que a senha havia sido desbloqueada. Belas políticas incoerentes de segurança!

About stupidity

Recently I came across this quote:

“When you are dead, you don’t know that you are dead.It is difficult only for the others… It is the same when you are stupid.” [1]

Isn’t this the best quote ever?

At times when people are voting for Donald Trump, enormous corruption scandals are being unveiled, terrorist attacks are becoming the norm as well as bombarding others’ countries, we all have something to say about stupid people. As unbelievably stupid as others may seem, we need to keep in mind a couple of things:

1. We might appear equally stupid for others as well, and;
2. In the end, we are all just people.

For the sake of not appearing stupid and for reducing the general level of stupidity in the world, let’s try to understand how this happens. Fortunately I am not the first one to ask this question, and much more competent people have studied this before. We should learn from them. In 1999, David Dunning and Justing Kruger ran a series of experiments to test how people assess their own competence at a task. This was inspired by a very interesting fact:

“The study was inspired by the case of McArthur Wheeler, a man who robbed two banks after covering his face with lemon juice in the mistaken belief that, because lemon juice is usable as invisible ink, it would prevent his face from being recorded on surveillance cameras.”

I know… I know… How in the world can a person think that lemon juice would make their face invisible on cameras? And if they thought so, why haven’t they tested it *before* robbing a bank? It turns out that the lack of competence is so big, but so big, that they are unable to doubt their reasoning and think for a second that they might be wrong.

Now, this is an extreme case, of course, but the study has shown that incompetent people were often over confident, and guessed a much higher score than they actualy got. This is known as the Dunning-Kruger effect.

At this point you might be thinking: “Sure, but I am not a stupid person.”
Aren’t you? Think again. If a stupid person is not able to assess their own stupidity, how do you know you are not one of them? [2] How do I know *I* am not one of them? No one wants to be seen as stupid by other people, so we should really find out.

The Dunning-Kruger effect is observed when unskilled persons have what is called “illusory superiority”. The name is self-explanatory. It is also known as the above average effect (e.g. in a survey, 87% of MBA students at Stanford University rated their performance above the median — something which is mathematically impossible). How can we avoid the self-inflated judgement of ourselves? This being a cognitive bias, it is virtually impossible to get rid of 100% in practice. Nevertheless, I believe there are some things we can do to alleviate it:

Doubt yourself

Whenever you think you know about something, google it. But don’t just take the first link, google also makes mistakes and the results of searches are biased. Make sure the sources you are checking are reliable, and be aware how far your knowledge goes. Inform yourself, check the facts and make sure you are not over simplifying (or maybe complicating!) things. (That is healthy doubting. We do not want the kind of unhealthy doubting that makes us crawl underneath the covers and feel bad about ourselves!)

Challenge your beliefs

It can be very healthy to talk to people that disagree with you, if they are equaly engaged and willing to explain their point (and not ofended by your questions [3]). It is good to understand the other side’s reasoning that led them to a different conclusion than yours, and it is good to explain your reasoning to others. Explaining is a very nice way to sanity-check your reasoning.

Learn from experience

If you are in a situation that others have been before, take a look at the past experiences. How are they similar to what you are going through? How are they different? What actions were taken? What was the outcome? Has someone conducted scientific studies on this before? Learn something from them.

Don’t let emotions get in the way

When someone says we are wrong, our first reaction is to listen to the “you are wrong” part and ignore completely why they think we are wrong. We are humans and we don’t like being wrong, but the moment we start being defensive is the moment emotion takes over reasoning. And emotions tend to make us even more biased. So if you feel your heart beating harder when you listen to something, take a step back, breath, and think coldly what exactly it was that made you startle. You might even learn a thing or two about yourself.

Give information instead of opinions

When you think someone is being stupid about something, give them some information they can reflect on. If they even think you implied they are wrong, they will stop listening to you. If you have ever changed your mind, you know that this is not a straightforward procedure. It takes time and it has to come from within. The best you can do is provide more information so the person can think for themselves.

Good luck and stay wise!

[1] Possibly attributed to Philippe Geluck, but I could not check with absolute certainty.
[2] I am not saying you will put lemon juice on your face and rob a bank. Please don’t be angry. I am not calling anyone stupid.
[3] This happens more often than not, unfortunately.

(inter)nationality

Three seemingly unrelated facts have caught my attention this week (maybe motivated by an e-mail that arrived just in time). It got me thinking about the nationality business again. Strong nationalist feelings never made sense to me. Maybe it is because I am not exactly proud of my origin country, maybe because I have moved and traveled so much that borders cause more hassle than help, but there is something about nationalism that I just don’t get. I thought that, at least in academia, we would be better than that as our community is highly international, but these events make me think otherwise, unfortunately.

The first thing that happened was the release of results of Marie Curie projects. This is organized by an European funding agency, it is open for anyone to apply with a project to be developed at a host institution somewhere in Europe. I applied for France, to follow-up on the post-doc I have until November. It was not accepted, sadly, but that’s another story. The interesting thing was the e-mail I got from the French branch of this agency. It mentioned very proudly that France was the second country in terms of number of approved projects, being only behind the UK. Being a Brazilian researcher applying to work with an American coordinator, nothing made less sense than counting my project as “French” only because it just so happens we are both in France. I know a French researcher that applied for a project in Germany, a Russian researcher that applied for a project in Austria… By the way, the whole idea of this grant is to move people around, so you cannot apply for a country where you have lived in for more than one year in the past three years. So most applicants for an institution in country X are not actually from X. How do you consider a project being from one country or the other like this? Worse, you create a fake sense of pride for the people that happen to be in their home country, and prejudice against foreigners. The foreigners that contributed for that count in the first place.

I am applying for another thing, a permanent position this time, at Inria in France. There is a document with many many sections to fill in, and at some point they ask us to list our publications. The subsections for the publications are split in “International Journals”, “Reviewed international conferences” and then “National Journals” and “Reviewed national conferences”. What do they mean by international and national? Is national French? Is national a conference or journal that have the name of a country in the title? If I am in France and publish a paper in a workshop organized in Brazil by a Brazilian university, is this international? On top of not being clear, the division of publications into national/international suggests there is a difference of importance between these two types of events. I do not know any conference or journal that restricts submissions based on the nationality of authors (also because authors usually are from different countries) so there should not be a difference of importance based on this criteria alone.

At this point one might think that the bureaucrats are to blame. They are the ones organizing reports and templates for applications, and they are the ones that think of boundaries between national and international. The researchers are aware of the nonsense of this distinction, and are only interested in the development of science for the sake of the human kind. Right? Well… here I am at a workshop in France, which is being streamed for three locations, whose invited speaker was German and gave the talk in English, but the rest of the talks are being given in French! The guy talking now has even the slides in English, but he is speaking French. If the invited speaker was talking in English, would it kill them to give a talk that he (and I) would understand better? Sigh… I am not a native English speaker, but this language made it possible for me to get where I am, so I have no problem in using it if it is enabling a better integration of the people in the world. Franchement…

In spite of all that, I don’t feel like an outsider. On the contrary, the outsiders for me are people who give so much importance to the nationality question, and I feel sorry for them. If they have some kind of prejudice against me because of where I am from, it is really *their* loss, because I am awesome xD

About Black Friday

As I was idly browsing the internet at the airport today, I came across a piece of news from BBC that got my attention. The title read: “Police issue Black Friday warning to retailers”. What has the police got to do with it? Apparently, during last year’s Black Friday, at a supermarket chain in England, there was such a great chaos between customers that the police had to be called. Mind you, these are people fighting over TV sets, computers or stereo systems.

If you live in a happy world and has no idea what I am talking about, then I give you two choices: (1) stop here and go on being happy or (2) continue reading and become a little less happy and a little more disappointed on human kind.

You decided to continue, I admire your courage.

Black Friday is one Friday in the end of November (presumably after Thanksgiving — yes, it’s an American thing, surprise, surprise!) when retailers give ridiculous discounts (50, 60,… even 90% off) on their products. So far so good… kinda. But when people hear crazy discounts, people apparently go crazy themselves. Black Fridays are characterized by long lines in front of shops, with people arriving as early as 3am, the chaos inside shops, with people filling up their carts with whatever only because it might be sold out on the next 5 minutes, and eventual arguments between customers over who will get that last washing machine at 70% off. Things can get pretty ugly, as some videos show.

The news at BBC only briefly explained the situation, and the fact that the police asked stores to be better prepared, and then went on saying that the concerning supermarket chain decided not to participate on Black Friday this year and what would be the consequences for their Christmas sales. As if this is the thing we should be focusing on… For me this is like saying, yeah, there is this war somewhere and a bunch of people are dying, but let’s see how this affects the missile market. Granted, it was BBC Business… What else can you expect? I cannot avoid the disappointment though.

First of all, I am disappointed at people (big news) that became so much consumerist as to reach this point of savageness (is this a word?) for getting products they don’t actually need. Only because they are on sale. How often do you need to change your TV set, mobile phone, mp3 player, headphones, laptops, tablets, screen projectors, suitcases, refrigerators, toasters, and so on? The new rule seems to be: as often as new models are released (or maybe half that frequency, which would still be too much, in my opinion). And companies many sure of having brand new stuff for you every year. They need the revenue, keep the economy active and the money circulating and everybody is happy, right? Wrong! I, for one, am not happy at all, and I have a feeling I am not alone.
Have you ever thought where your unused gadgets end up? Maybe you are lucky to have a big enough house, with a basement to dump all the stuff for now. But in the long run, your space will end, as it is finite, or you have to move. Then you might have a garage sale or sell some things online, but by then, a big part of it will be so undervalued (mobile phones that cost as much as 300 euros 2 years ago can be bought by 30 euros today) that it is not worth the trouble. You will throw most of them away, polluting the environment with all the silicon, lithium, plastic and a bunch of other crap that will take hundreds of thousands of years to decompose. Ok. Maybe I am being unfair. Maybe you are a pseudo-ecological person that takes your useless stuff to the next electronics’ recycling center. You know all the silicon, lithium and plastic are still there, right? People at these centers will separate the materials to facilitate recycling, a process which itself consumes energy and other resources. If you were really ecological, you would not have accumulated so many useless things in the first place.

My second disappointment is with the news itself, a narrow-minded article that makes a silly economical analysis of shops adhering or not to Black Friday and misses *entirely* the bigger and more important picture. I don’t mind BBC having a business section. I mind that a huge newscast corporation, responsible for shaping the opinions of millions of people, has an article saying how Christmas sales are affected by Black Friday and does *not* have an article discussing the more worrying consequences of such event. Consequences that will only be felt after a few years, on the climate, nature and society itself (if you think about it, 10 years ago is not that far and already so many things have changed), and not on next month’s profit. Why are these fundamental questions not worthy of a front page news? Do newspapers have an agenda? Or are they simply run by people that don’t care? Or is it too disturbing? I am sure there are competent people out there, thinking, researching and writing about the important things. Where are these people? Why are they not writing articles for the BBC? You really should…

Sobre Black Friday

Eu estava navengando √† toa na internet no aeroporto hoje, e uma not√≠cia da BBC me chamou a aten√ß√£o. O t√≠tulo era: “Pol√≠cia divulga aviso de Black Friday para varejistas” (tradu√ß√£o livr√≠ssima…). Que que a pol√≠cia tem a ver com isso? Aparentemente, durante a Black Friday do ano passado, em uma rede de supermercados da Inglaterra, houve uma confus√£o t√£o grande entre clientes que a pol√≠cia teve de ser acionada. Aten√ß√£o, isso foi causado por pessoas brigando pra comprar TVs, computadores ou sistemas de som.

Se voc√™ vive em um mundo feliz, e n√£o faz a mais remota id√©ia do que eu estou falando, vou te dar duas op√ß√Ķes: (1) p√°ra de ler aqui e continue sendo feliz ou (2) continue lendo e se torne um pouco menos feliz e um pouco mais desapontado na ra√ßa humana.

Voc√™ decidiu continuar! Admiro sua coragem ūüôā

Black Friday √© uma sexta-feira no final de novembro (presumidamente depois do Thanksgiving — sim, √© uma coisa americana, grande surpresa!) quando as lojas decidem vender seus produtos com descontos ridiculamente altos (50, 60 ou at√© 90%). At√© a√≠ tudo bem… mais ou menos. O neg√≥cio √© que quando as pessoas escutam falar de descontos loucos, elas ficam loucas. Black Fridays s√£o conhecidas por filas quilom√©tricas na porta de lojas, com pessoas chegando √†s 3 da manh√£, pelo caos dentro das lojas, com pessoas enchendo seus carrinhos de qualquer coisas s√≥ porque √© muito barato, e de vez enquando discuss√Ķes agitadas entre clientes pra ver quem vai ficar com a √ļltima m√°quina de lavar com 70% de desconto. As coisas podem ficar bem feias, como alguns v√≠deos mostram.

A not√≠cia da BBC explica brevemente a situa√ß√£o, e que a pol√≠cia pede que as lojas estejam melhores preparadas esse ano, e depois o texto continua dizendo que a rede de supermercados decidiu n√£o participar da Black Friday esse ano e quais seriam as consequ√™ncias para as vendas no Natal. Como se esse fosse o fato em que devemos focar… Pra mim, isso √© como dizer, “sim, tem uma guerra l√° e um monte de gente est√° morrendo, mas vamos ver qual √© o impacto na venda de m√≠sseis”. Bom, a not√≠cia estava na se√ß√£o de neg√≥cios da BBC… O que mais eu poderia esperar? Mesmo assim, n√£o consigo deixar de ficar desapontada…

Primeiramente, eu estou desapontada com as pessoas (grande novidade) que se tornaram consumistas a tal ponto de cometer atos quase selvagens para ter produtos dos quais elas realmente n√£o precisam. S√≥ porque est√£o na promo√ß√£o. Com qual frequ√™ncia uma pessoa precisa trocar seu aparelho de TV, celular, mp3 player, headphones, laptops, tablets, projetores, malas, geladeiras, tostadeiras, e etc e tal? A nova regra parece ser: toda vez que um novo modelo √© lan√ßado (ou talvez a metade dessa frequ√™ncia que, na minha opini√£o, ainda √© demais). E as empresas t√™m coisas novas pra voc√™ todo ano. Eles precisam das vendas, a economia precisa estar ativa, o dinheiro circulando e todo mundo fica feliz, certo? Errado! Eu, por exemplo, n√£o t√ī nem um pouco feliz com essa situa√ß√£o, e tenho a vaga impress√£o de que n√£o sou a √ļnica.
Voc√™ j√° parou pra pensar pra onde v√£o todas essas coisas sub-utilizadas? Talvez voc√™ seja sortudo e more numa casa grande o suficiente, com um quarto pra servir de dep√≥sito pra todas essas coisas por agora. Mas no final das contas, o espa√ßo acaba, ou voc√™ tem que se mudar. Ent√£o voc√™ pode anunciar todos os seus produtos velhos pra vender, mas v√°rias coisas j√° v√£o estar t√£o desvalorizadas que nem vale a pena o trabalho (voc√™ sabe o que fazer com um iPhone 2 hoje? Os aplicativos mais recentes nem funcionam nele mais). Voc√™ vai acabar jogando essas coisas no lixo, poluindo o meio ambiente com um monte de silicone, l√≠tio, pl√°stico e outras porcarias que v√£o levar centenas de milhares de anos pra decomp√īr. Bom… Talvez voc√™ seja uma pessoa pseudo-ecol√≥gica e vai levar esses produtos pro centro de reciclagem de eletr√īnicos mais pr√≥ximo. Voc√™ sabe que o silicone, l√≠tio, pl√°stico e as outras porcarias ainda est√£o l√° n√©? As pessoas trabalhando no centro de reciclagem v√£o separar propriamente os materias, reciclar o que der, mas esse processo em si gasta energia e outros recursos. Se voc√™ fosse ecol√≥gico de verdade, n√£o teria acumulado tantos produtos in√ļteis em primeiro lugar.

Minha segunda frustra√ß√£o √© com a not√≠cia em si, um artigo superficial que faz uma an√°lise econ√īmica besta sobre lojas aderindo ou n√£o √† Black Friday e perde completamente a maior e mais importante perspectiva. Eu n√£o me importo que a BBC tenha uma se√ß√£o “neg√≥cios”. Eu me importo que uma ag√™ncia de not√≠cias de tal magnitude, fromadora de opini√Ķes de milh√Ķes de pessoas, publica um artigo sobre como as vendas de Natal s√£o afetadas pela Black Friday e *n√£o* publicam um artigo discutindo as consequ√™ncias mais s√©rias dessa cultura. Consequ√™ncias estas que ser√£o sentidas apenas ap√≥s alguns anos, no clima, natureza e na sociedade em si (se voc√™ pensar bem, 10 anos atr√°s nem √© tanto tempo e tanta coisa j√° mudou), e n√£o no balan√ßo do m√™s que vem. Por que essas quest√Ķes mais fundamentais n√£o s√£o merecedoras de uma not√≠cia na p√°gina principal? Os jornais t√™m algum motivo ulterior? Ou eles simplesmente s√£o comandados por pessoas que n√£o se importam? Ou √© muito perturbador? Eu tenho certeza que existem pessoas competentes pensando, pesquisando e escrevendo sobre coisas imporantes. Cade elas? Por que elas n√£o est√£o escrevendo artigos pra BBC? Voc√™s realmente deveriam…