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O Banco do Brasil é o banco mais seguro do mundo (2)

Mais um conto da série.

Eu tinha mudado pra Viena há pouco tempo quando precisei acessar minha conta do Banco do Brasil online fora do país pela primeira vez. Isso devia ser meados de 2011. Se você está lendo isso na ordem, deve saber pela última história que toda vez que preciso acessar o site do BB, tenho que receber um novo código de autorização do computador no celular.

A primeira vez que isso aconteceu e eu estava fora do país, o único celular cadastrado na minha conta era o meu antigo, que já não existia mais. Tinha então que cadastrar um novo telefone (que só pode ser do Brasil), e pra isso, adivinha? Tenho que ir na agência! Esse pessoal deve gostar muito de atender cliente. Imagino que chegarei lá e estarão todos de braços abertos com um sorriso enorme me esperando…

Com sorte eu tinha deixado uma procuração com meu pai que basicamente dá direito a ele ser eu pra qualquer coisa. Então ele me fez o favor de ir na agência ser eu e cadastrar o número do telefone dele na minha conta. Pelo menos agora eu vou poder acessar minha conta de vez né? Ah vou…

E quando eu precisei acessar a conta e o meu pai estava me visitando fora do Brasil? O celular dele não estava funcionando e portanto não consegui receber o código. Decidi usar o bom e velho telefone, e depois de um bom tempo procurando um número que (1) funcionasse via Skype [1] e (2) não precisasse da senha do telefone que (surpresa!) estava bloqueada, consegui falar com uma pessoa. Após confirmar todos os meus dados, ela me perguntou o que poderia fazer por mim e eu pedi pra ter acesso à conta online. Ela me disse que não era possível. Por que não? Porque não tinha como ela ter certeza de que eu era eu. Você sabe, medidas de segurança né… Vai que tem alguém com um revólver na minha cabeça pedindo pelo amor de deus por um código pra desbloquear o computador pra eles poderem… hmm… ver meu saldo? [2] [1] Números 0800, 4004 e cia não funcionam via Skype.

[2] Parece que essa é a única operação que eu consigo fazer de todo jeito. Terceira historinha aqui.

O Banco do Brasil é o banco mais seguro do mundo (1)

Ou o mais carente. Vou explicar.

Mês passado eu tentei acessar minha conta do Banco do Brasil online. Eu estava em Viena, na Áustria. Ao clicar em “Acesse sua conta”, o site é redirecionado pra uma página onde tenho que colocar o número da conta e senha. Mas antes disso, como de praxe, ele me avisa que vai executar um jar e pergunta se eu tenho mesmo certeza se quero fazer isso.

bb-jar

Duas vezes. Eu tenho que realmente ter certeza. [1]

Depois de entrar todos os dados, a página me avisa que não posso realizar nenhuma operação porque meu computador não está autorizado. Claro! Eu atualizei o Firefox. Toda vez que atualizo o Firefox (que acontece mais ou menos uma vez por mês) o Banco do Brasil esquece que meu computador é autorizado. Faz todo sentido.

Então eu tenho que receber um código pelo celular pra autorizar meu “novo” computador. Só que não pode ser pra qualquer celular, tem que ser pra um celular no Brasil. Dei sorte de já ter passado por todo o processo de cadastrar o número do meu pai na minha conta sem estar fisicamente no país [2]. Pedi que enviassem o código então e aguardei meu pai me mandar. Ele não estava com o telefone na hora, mas depois de algum tempo recebi o código.

Ao tentar acessar o site de novo, me deparo com uma mensagem dizendo que minha senha foi bloqueada. Eu devo ir num caixa eletrônico com meu cartão pra desbloquear ou numa agência. Desconfiei que o acesso foi bloqueado porque eu estava no exterior. Pedi pro meu pai tentar acessar o site do Brasil, mas nada. Senha bloqueada. Ele gentilmente ofereceu ir numa agência pra mim. O gerente o informou que não só minha senha da internet, mas todas as senhas, foram bloqueadas por “medida de segurança”. Sabe-se lá qual. Ninguém conseguiu me explicar ainda. Pra desbloquear a senha eu deveria ir pessoalmente na agência… ou ir na embaixada brasileira, redigir uma procuração pro meu pai, assinar com firma reconhecida e enviar via Sedex. É uma praticidade sem fim!

Eu pensei que talvez existisse um jeito mais fácil. Entrei em contato com o Banco do Brasil via Facebook explicando a situação. Depois de explicar que eu não poderia ir a uma agência e não tinha procurador no Brasil, eles me mandaram um formulário que eu deveria enviar preenchido e assinado, com uma cópia de algum documento, pra um e-mail da minha agência [3]. (Olha só, já ficou mais simples do que o esquema do Sedex hein!) Um dos campos que eu deveria preencher nesse formulário era o endereço IP do computador utilizado pra acessar o site. Mesmo? Endereço de IP? Que bonitinho eles tentando ser tecnológicos… Como se eu usasse *um* computador, em *uma* rede, com *IP  estático*! Parece minha avó perguntando qual é meu novo endereço de e-mail depois que eu mudei.

Enfim, mandei o formulário deixando claro que não tinha um IP fixo de onde eu sempre acessaria o site deles. Isso faz uma semana. Sem notícias ainda. Talvez eles estejam confusos com o esquema do IP que muda. Talvez eles estejam com saudades de mim e queiram que eu pegue um avião pra dar um pulinho lá na agência. Pelo menos ninguém mais tem acesso à minha conta né? (Ou será que tem??)

Vamos ver quanto tempo vai demorar pra eu recuperar esse acesso. Aguardem cenas dos próximos capítulos.

[1] Quem ainda usa Java Applets empacotados em jars pra rodar um simples formulário em uma página web hoje em dia? Sinceramente…

[2] Segunda historinha. Veja aqui.

[3] Fato interessante: Nesse meio tempo, o meu noivo teve o mesmo problema. Sua senha de acesso à internet foi bloqueada. Ele entrou em contato com o BB no Facebook um dia depois de mim. Em três dias ele recebeu uma mensagem dizendo que a senha havia sido desbloqueada. Belas políticas incoerentes de segurança!

About stupidity

Recently I came across this quote:

“When you are dead, you don’t know that you are dead.It is difficult only for the others… It is the same when you are stupid.” [1]

Isn’t this the best quote ever?

At times when people are voting for Donald Trump, enormous corruption scandals are being unveiled, terrorist attacks are becoming the norm as well as bombarding others’ countries, we all have something to say about stupid people. As unbelievably stupid as others may seem, we need to keep in mind a couple of things:

1. We might appear equally stupid for others as well, and;
2. In the end, we are all just people.

For the sake of not appearing stupid and for reducing the general level of stupidity in the world, let’s try to understand how this happens. Fortunately I am not the first one to ask this question, and much more competent people have studied this before. We should learn from them. In 1999, David Dunning and Justing Kruger ran a series of experiments to test how people assess their own competence at a task. This was inspired by a very interesting fact:

“The study was inspired by the case of McArthur Wheeler, a man who robbed two banks after covering his face with lemon juice in the mistaken belief that, because lemon juice is usable as invisible ink, it would prevent his face from being recorded on surveillance cameras.”

I know… I know… How in the world can a person think that lemon juice would make their face invisible on cameras? And if they thought so, why haven’t they tested it *before* robbing a bank? It turns out that the lack of competence is so big, but so big, that they are unable to doubt their reasoning and think for a second that they might be wrong.

Now, this is an extreme case, of course, but the study has shown that incompetent people were often over confident, and guessed a much higher score than they actualy got. This is known as the Dunning-Kruger effect.

At this point you might be thinking: “Sure, but I am not a stupid person.”
Aren’t you? Think again. If a stupid person is not able to assess their own stupidity, how do you know you are not one of them? [2] How do I know *I* am not one of them? No one wants to be seen as stupid by other people, so we should really find out.

The Dunning-Kruger effect is observed when unskilled persons have what is called “illusory superiority”. The name is self-explanatory. It is also known as the above average effect (e.g. in a survey, 87% of MBA students at Stanford University rated their performance above the median — something which is mathematically impossible). How can we avoid the self-inflated judgement of ourselves? This being a cognitive bias, it is virtually impossible to get rid of 100% in practice. Nevertheless, I believe there are some things we can do to alleviate it:

Doubt yourself

Whenever you think you know about something, google it. But don’t just take the first link, google also makes mistakes and the results of searches are biased. Make sure the sources you are checking are reliable, and be aware how far your knowledge goes. Inform yourself, check the facts and make sure you are not over simplifying (or maybe complicating!) things. (That is healthy doubting. We do not want the kind of unhealthy doubting that makes us crawl underneath the covers and feel bad about ourselves!)

Challenge your beliefs

It can be very healthy to talk to people that disagree with you, if they are equaly engaged and willing to explain their point (and not ofended by your questions [3]). It is good to understand the other side’s reasoning that led them to a different conclusion than yours, and it is good to explain your reasoning to others. Explaining is a very nice way to sanity-check your reasoning.

Learn from experience

If you are in a situation that others have been before, take a look at the past experiences. How are they similar to what you are going through? How are they different? What actions were taken? What was the outcome? Has someone conducted scientific studies on this before? Learn something from them.

Don’t let emotions get in the way

When someone says we are wrong, our first reaction is to listen to the “you are wrong” part and ignore completely why they think we are wrong. We are humans and we don’t like being wrong, but the moment we start being defensive is the moment emotion takes over reasoning. And emotions tend to make us even more biased. So if you feel your heart beating harder when you listen to something, take a step back, breath, and think coldly what exactly it was that made you startle. You might even learn a thing or two about yourself.

Give information instead of opinions

When you think someone is being stupid about something, give them some information they can reflect on. If they even think you implied they are wrong, they will stop listening to you. If you have ever changed your mind, you know that this is not a straightforward procedure. It takes time and it has to come from within. The best you can do is provide more information so the person can think for themselves.

Good luck and stay wise!

[1] Possibly attributed to Philippe Geluck, but I could not check with absolute certainty.
[2] I am not saying you will put lemon juice on your face and rob a bank. Please don’t be angry. I am not calling anyone stupid.
[3] This happens more often than not, unfortunately.

(inter)nationality

Three seemingly unrelated facts have caught my attention this week (maybe motivated by an e-mail that arrived just in time). It got me thinking about the nationality business again. Strong nationalist feelings never made sense to me. Maybe it is because I am not exactly proud of my origin country, maybe because I have moved and traveled so much that borders cause more hassle than help, but there is something about nationalism that I just don’t get. I thought that, at least in academia, we would be better than that as our community is highly international, but these events make me think otherwise, unfortunately.

The first thing that happened was the release of results of Marie Curie projects. This is organized by an European funding agency, it is open for anyone to apply with a project to be developed at a host institution somewhere in Europe. I applied for France, to follow-up on the post-doc I have until November. It was not accepted, sadly, but that’s another story. The interesting thing was the e-mail I got from the French branch of this agency. It mentioned very proudly that France was the second country in terms of number of approved projects, being only behind the UK. Being a Brazilian researcher applying to work with an American coordinator, nothing made less sense than counting my project as “French” only because it just so happens we are both in France. I know a French researcher that applied for a project in Germany, a Russian researcher that applied for a project in Austria… By the way, the whole idea of this grant is to move people around, so you cannot apply for a country where you have lived in for more than one year in the past three years. So most applicants for an institution in country X are not actually from X. How do you consider a project being from one country or the other like this? Worse, you create a fake sense of pride for the people that happen to be in their home country, and prejudice against foreigners. The foreigners that contributed for that count in the first place.

I am applying for another thing, a permanent position this time, at Inria in France. There is a document with many many sections to fill in, and at some point they ask us to list our publications. The subsections for the publications are split in “International Journals”, “Reviewed international conferences” and then “National Journals” and “Reviewed national conferences”. What do they mean by international and national? Is national French? Is national a conference or journal that have the name of a country in the title? If I am in France and publish a paper in a workshop organized in Brazil by a Brazilian university, is this international? On top of not being clear, the division of publications into national/international suggests there is a difference of importance between these two types of events. I do not know any conference or journal that restricts submissions based on the nationality of authors (also because authors usually are from different countries) so there should not be a difference of importance based on this criteria alone.

At this point one might think that the bureaucrats are to blame. They are the ones organizing reports and templates for applications, and they are the ones that think of boundaries between national and international. The researchers are aware of the nonsense of this distinction, and are only interested in the development of science for the sake of the human kind. Right? Well… here I am at a workshop in France, which is being streamed for three locations, whose invited speaker was German and gave the talk in English, but the rest of the talks are being given in French! The guy talking now has even the slides in English, but he is speaking French. If the invited speaker was talking in English, would it kill them to give a talk that he (and I) would understand better? Sigh… I am not a native English speaker, but this language made it possible for me to get where I am, so I have no problem in using it if it is enabling a better integration of the people in the world. Franchement…

In spite of all that, I don’t feel like an outsider. On the contrary, the outsiders for me are people who give so much importance to the nationality question, and I feel sorry for them. If they have some kind of prejudice against me because of where I am from, it is really *their* loss, because I am awesome xD

About Black Friday

As I was idly browsing the internet at the airport today, I came across a piece of news from BBC that got my attention. The title read: “Police issue Black Friday warning to retailers”. What has the police got to do with it? Apparently, during last year’s Black Friday, at a supermarket chain in England, there was such a great chaos between customers that the police had to be called. Mind you, these are people fighting over TV sets, computers or stereo systems.

If you live in a happy world and has no idea what I am talking about, then I give you two choices: (1) stop here and go on being happy or (2) continue reading and become a little less happy and a little more disappointed on human kind.

You decided to continue, I admire your courage.

Black Friday is one Friday in the end of November (presumably after Thanksgiving — yes, it’s an American thing, surprise, surprise!) when retailers give ridiculous discounts (50, 60,… even 90% off) on their products. So far so good… kinda. But when people hear crazy discounts, people apparently go crazy themselves. Black Fridays are characterized by long lines in front of shops, with people arriving as early as 3am, the chaos inside shops, with people filling up their carts with whatever only because it might be sold out on the next 5 minutes, and eventual arguments between customers over who will get that last washing machine at 70% off. Things can get pretty ugly, as some videos show.

The news at BBC only briefly explained the situation, and the fact that the police asked stores to be better prepared, and then went on saying that the concerning supermarket chain decided not to participate on Black Friday this year and what would be the consequences for their Christmas sales. As if this is the thing we should be focusing on… For me this is like saying, yeah, there is this war somewhere and a bunch of people are dying, but let’s see how this affects the missile market. Granted, it was BBC Business… What else can you expect? I cannot avoid the disappointment though.

First of all, I am disappointed at people (big news) that became so much consumerist as to reach this point of savageness (is this a word?) for getting products they don’t actually need. Only because they are on sale. How often do you need to change your TV set, mobile phone, mp3 player, headphones, laptops, tablets, screen projectors, suitcases, refrigerators, toasters, and so on? The new rule seems to be: as often as new models are released (or maybe half that frequency, which would still be too much, in my opinion). And companies many sure of having brand new stuff for you every year. They need the revenue, keep the economy active and the money circulating and everybody is happy, right? Wrong! I, for one, am not happy at all, and I have a feeling I am not alone.
Have you ever thought where your unused gadgets end up? Maybe you are lucky to have a big enough house, with a basement to dump all the stuff for now. But in the long run, your space will end, as it is finite, or you have to move. Then you might have a garage sale or sell some things online, but by then, a big part of it will be so undervalued (mobile phones that cost as much as 300 euros 2 years ago can be bought by 30 euros today) that it is not worth the trouble. You will throw most of them away, polluting the environment with all the silicon, lithium, plastic and a bunch of other crap that will take hundreds of thousands of years to decompose. Ok. Maybe I am being unfair. Maybe you are a pseudo-ecological person that takes your useless stuff to the next electronics’ recycling center. You know all the silicon, lithium and plastic are still there, right? People at these centers will separate the materials to facilitate recycling, a process which itself consumes energy and other resources. If you were really ecological, you would not have accumulated so many useless things in the first place.

My second disappointment is with the news itself, a narrow-minded article that makes a silly economical analysis of shops adhering or not to Black Friday and misses *entirely* the bigger and more important picture. I don’t mind BBC having a business section. I mind that a huge newscast corporation, responsible for shaping the opinions of millions of people, has an article saying how Christmas sales are affected by Black Friday and does *not* have an article discussing the more worrying consequences of such event. Consequences that will only be felt after a few years, on the climate, nature and society itself (if you think about it, 10 years ago is not that far and already so many things have changed), and not on next month’s profit. Why are these fundamental questions not worthy of a front page news? Do newspapers have an agenda? Or are they simply run by people that don’t care? Or is it too disturbing? I am sure there are competent people out there, thinking, researching and writing about the important things. Where are these people? Why are they not writing articles for the BBC? You really should…

Sobre Black Friday

Eu estava navengando à toa na internet no aeroporto hoje, e uma notícia da BBC me chamou a atenção. O título era: “Polícia divulga aviso de Black Friday para varejistas” (tradução livríssima…). Que que a polícia tem a ver com isso? Aparentemente, durante a Black Friday do ano passado, em uma rede de supermercados da Inglaterra, houve uma confusão tão grande entre clientes que a polícia teve de ser acionada. Atenção, isso foi causado por pessoas brigando pra comprar TVs, computadores ou sistemas de som.

Se você vive em um mundo feliz, e não faz a mais remota idéia do que eu estou falando, vou te dar duas opções: (1) pára de ler aqui e continue sendo feliz ou (2) continue lendo e se torne um pouco menos feliz e um pouco mais desapontado na raça humana.

Você decidiu continuar! Admiro sua coragem 🙂

Black Friday é uma sexta-feira no final de novembro (presumidamente depois do Thanksgiving — sim, é uma coisa americana, grande surpresa!) quando as lojas decidem vender seus produtos com descontos ridiculamente altos (50, 60 ou até 90%). Até aí tudo bem… mais ou menos. O negócio é que quando as pessoas escutam falar de descontos loucos, elas ficam loucas. Black Fridays são conhecidas por filas quilométricas na porta de lojas, com pessoas chegando às 3 da manhã, pelo caos dentro das lojas, com pessoas enchendo seus carrinhos de qualquer coisas só porque é muito barato, e de vez enquando discussões agitadas entre clientes pra ver quem vai ficar com a última máquina de lavar com 70% de desconto. As coisas podem ficar bem feias, como alguns vídeos mostram.

A notícia da BBC explica brevemente a situação, e que a polícia pede que as lojas estejam melhores preparadas esse ano, e depois o texto continua dizendo que a rede de supermercados decidiu não participar da Black Friday esse ano e quais seriam as consequências para as vendas no Natal. Como se esse fosse o fato em que devemos focar… Pra mim, isso é como dizer, “sim, tem uma guerra lá e um monte de gente está morrendo, mas vamos ver qual é o impacto na venda de mísseis”. Bom, a notícia estava na seção de negócios da BBC… O que mais eu poderia esperar? Mesmo assim, não consigo deixar de ficar desapontada…

Primeiramente, eu estou desapontada com as pessoas (grande novidade) que se tornaram consumistas a tal ponto de cometer atos quase selvagens para ter produtos dos quais elas realmente não precisam. Só porque estão na promoção. Com qual frequência uma pessoa precisa trocar seu aparelho de TV, celular, mp3 player, headphones, laptops, tablets, projetores, malas, geladeiras, tostadeiras, e etc e tal? A nova regra parece ser: toda vez que um novo modelo é lançado (ou talvez a metade dessa frequência que, na minha opinião, ainda é demais). E as empresas têm coisas novas pra você todo ano. Eles precisam das vendas, a economia precisa estar ativa, o dinheiro circulando e todo mundo fica feliz, certo? Errado! Eu, por exemplo, não tô nem um pouco feliz com essa situação, e tenho a vaga impressão de que não sou a única.
Você já parou pra pensar pra onde vão todas essas coisas sub-utilizadas? Talvez você seja sortudo e more numa casa grande o suficiente, com um quarto pra servir de depósito pra todas essas coisas por agora. Mas no final das contas, o espaço acaba, ou você tem que se mudar. Então você pode anunciar todos os seus produtos velhos pra vender, mas várias coisas já vão estar tão desvalorizadas que nem vale a pena o trabalho (você sabe o que fazer com um iPhone 2 hoje? Os aplicativos mais recentes nem funcionam nele mais). Você vai acabar jogando essas coisas no lixo, poluindo o meio ambiente com um monte de silicone, lítio, plástico e outras porcarias que vão levar centenas de milhares de anos pra decompôr. Bom… Talvez você seja uma pessoa pseudo-ecológica e vai levar esses produtos pro centro de reciclagem de eletrônicos mais próximo. Você sabe que o silicone, lítio, plástico e as outras porcarias ainda estão lá né? As pessoas trabalhando no centro de reciclagem vão separar propriamente os materias, reciclar o que der, mas esse processo em si gasta energia e outros recursos. Se você fosse ecológico de verdade, não teria acumulado tantos produtos inúteis em primeiro lugar.

Minha segunda frustração é com a notícia em si, um artigo superficial que faz uma análise econômica besta sobre lojas aderindo ou não à Black Friday e perde completamente a maior e mais importante perspectiva. Eu não me importo que a BBC tenha uma seção “negócios”. Eu me importo que uma agência de notícias de tal magnitude, fromadora de opiniões de milhões de pessoas, publica um artigo sobre como as vendas de Natal são afetadas pela Black Friday e *não* publicam um artigo discutindo as consequências mais sérias dessa cultura. Consequências estas que serão sentidas apenas após alguns anos, no clima, natureza e na sociedade em si (se você pensar bem, 10 anos atrás nem é tanto tempo e tanta coisa já mudou), e não no balanço do mês que vem. Por que essas questões mais fundamentais não são merecedoras de uma notícia na página principal? Os jornais têm algum motivo ulterior? Ou eles simplesmente são comandados por pessoas que não se importam? Ou é muito perturbador? Eu tenho certeza que existem pessoas competentes pensando, pesquisando e escrevendo sobre coisas imporantes. Cade elas? Por que elas não estão escrevendo artigos pra BBC? Vocês realmente deveriam…

Sobre assédio feminino

Parece que eu vou ter que esclarecer umas coisas direitinho pra vocês. Então vamos lá.

Assédio feminino nas ruas é um fato. As mulheres saem de casa e são assediadas. Tenho certeza que ninguém vai discordar disso, certo? Agora, o que a maioria das pessoas (homens principalmente) não sabem é que assédio não é só estupro, ou gritar coisas obscenas, ou tirar casquinha. Não não… Assédio pode vir de várias formas diferentes, muitas vezes até sem intenção. E essa é a parte difícil porque, como o cara tinha somente boas intenções, e não fez nada de absurdamente errado, você vai ser a chata feminista de reclamar. Bom, eu não sou uma chata feminista, eu vou só ser honesta porque algumas coisas têm que parar.

Homens acham que é ok chegar em mulheres completamente estranhas, conversar, dar em cima e, se ela parecer receptiva, chamar pra sair. O procedimento parece aceitável… se você estiver em um bar, ou boate, ou festa! Mas *não* se você está no ônibus, metrô, avião, hotel ou sala de espera do médico. Vocês não fazem idéia do quão irritante é descobrir que a pessoa com quem você estava tendo uma conversa perfeitamente normal tem outros motivos pra falar com você e na verdade estava meio dando em cima. Depois disso ocorrer um número de vezes, a gente passa a acreditar que ninguém é simpático pelo simples ato de simpatia, e aprende que, se você for simpática de volta, você está basicamente autorizando ele a pedir seu telefone em tipo 5 minutos. Então o que a gente faz? A gente fica séria, a gente não rende papo, a gente não olha na cara das pessoas. E isso é um saco, porque de repente você percebe que anda com uma cara de mau humorada constantemente, você evita sentar ao lado de homens estranhos, você finge que não fala a lingua local e esconde o livro que estava lendo, você não faz *nada*, absolutamente nada!, que possa servir de pretexto pra uma conversa (infelizmente a gente espirra de vez em quando…). É bastante triste que esses atos de “auto-preservação” são tão naturais pra maioria das mulheres. Quer dizer que, uma hora ou outra, todas nós nos encontramos em uma situação esquisita com um cara estranho, e aconteceu tantas vezes que a pessoas que veio conversar simpaticamente queria na verdade só dar em cima de você, que a gente pára de ouvir até as pessoas que realmente estão somente sendo simpáticas.

Então, homens do mundo, eu tenho certeza que às vezes vocês têm a melhor das intenções. Vocês dois estão sentados lá à toa, fazendo nada, que mal faz puxar um papo, né? Mas antes, se pergunte isso: se a pessoa sentada do seu lado fosse um outro cara, você ia perguntar pra ele as horas ou comentar sobre o tempo? Se a resposta for não, é melhor ficar de bico fechado.

About women harassment

It seems like I have to spell this out to you. So here we go.

Women street harassment is a thing. Women go out on the streets and they get harassed. I am sure no one will challenge this statement, right? Now, what most people (mostly men) don’t know is that harassment is not only rape, or calling someone names, or inappropriate touching. No no no… Harassment can come in several different flavors, sometimes even unintentionally. And this is the hard part because, since the harasser has nothing but good intentions, and did nothing wrong explicitly, you will be the feminist bitch to bring it up and be mad about it. Well, I am not a feminist bitch, I will just be honest because some things have got to stop.

Men think that it is ok to approach women they don’t know, talk, flirt and, if she seems receptive, ask them out. It sounds ok… if you are at a bar, or a party! But *not* if you are in the bus, or subway, or airplane, or hotel, or doctor’s office waiting room. You have no idea how annoying it is to realize that that person with whom you were having a perfectly harmless conversation has ulterior motives and was actually hitting on you. We start believing that people are never nice just for the sake of being nice, which means that, if you are nice back, you’d be receptive to his asking for your phone number in about 5 minutes. So what do we do? We stay serious, we don’t engage on any conversation, we look anywhere but other people’s faces. And it sucks, because suddenly you realize that you walk around with a constant angry face, you choose not to sit next to unknown guys, you pretend you don’t speak the language and hide the book you were reading, you don’t do *anything*, absolutely nothing!!, that can be a conversation starter (unfortunately we have to sneeze sometimes…). It is sad that all these self-preserving acts come naturally for most women. This means that, at one point or another, every one of us found ourselves in a weird situation with a guy, and it happened so often that the person who came to talk to you had an agenda, that we just stop listening, even to the poor people that have no agenda at all, and are actually just being nice.

So, men of the world, I am sure that you sometimes have the best of intentions. You’re both just sitting there doing nothing, so what’s the harm in talking? But before engaging, ask yourself this: if the person sitting next to you was another guy, would you ask him the time or comment on the weather? If the answer is no, it is better to keep your mouth shut.